O vereador Nelson Hossri (Podemos) quer a abertura de uma CPI para investigar desvios de verbas destinadas à merenda escolar em Campinas, e afirma que falta somente mais uma assinatura para isso. O pedido se baseia em uma denúncia apresentada na segunda-feira pelo Ministério Público Federal contra o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB). Além de Jonas, também foram denunciados pelo MPF o ex-prefeito, Pedro Serafim Junior (PRB), antecessor de Jonas, e servidores municipais.
Hossri afirma que a CPI da Merenda é necessária para que a Câmara cumpra o papel dela de fiscalizar o Executivo, e espera que não aconteça como a CPI da Saúde, que não saiu do papel por falta de assinaturas dos vereadores. “É algo assim que realmente nos revolta e a Câmara Municipal não pode se omitir. A base do governo Jonas tem de parar de dar desculpas para não assinar a CPI, como foi no caso da saúde, e pensar mais na população e neste absurdo que vem ocorrendo atrásra que é o desvio de verbas da merenda escolar”.
O vereador afirma já ter conseguido dez das 11 assinaturas necessárias já na segunda-feira, quando a Comissão Processante contra o prefeito Jonas Donizette foi aprovada. “Eu me surpreendi ao assinar a CPI da merenda, eu obtive dez assinaturas, e são necessárias 11 assinaturas. Alguns vereadores da base do governo já me procuraram e tudo indica que virá uma massa como foi na comissão processante, e teremos ai mais assinaturas, ultrapassando as 11 necessárias”.
Hossri explica que a abertura da Comissão Processante contra Jonas Donizette nada interfere na abertura de uma CPI, pois enquanto a CP foca somente a figura de Jonas, a CPI traz uma investigação mais abrangente. Além disso, são temas distintos, já que uma apura eventuais desvios no Hospital Ouro Verde, e outra apura desvios de verbas federais destinadas à merenda escolar. “Uma não tira o poder da outra, a comissão processante é única e exclusiva em cima do prefeito, já a CPI ela vai investigar servidores municipais, então precisamos detectar onde estão e quem são estes servidores, e como vem sendo feito este esquema. O Ministério Público já deixou bem claro que o governo Jonas Donizette desviou verbas públicas federais em provento de terceiros”.
A acusação contra Jonas é de desvios de verbas oriundas do Programa Nacional de Alimentação Escolar. Esta verba só poderia ser utilizada na aquisição de alimentos produzidos na modalidade de agricultura familiar, para serem utilizados na merenda escolar.O esquema teria superfaturado dois contratos em pouco mais de R$ 1,2 milhão, valor que teria sido desviado, e depois passado por um esquema de lavagem de dinheiro.