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Delator revela grupo de gestores que cobrava “pedágio” de prestadoras de serviço do Ouro Verde

Gestores hospitalares ligados a Organizações Sociais formaram um grupo que cobrava uma espécie de “pedágio” para viabilizar a contratação e manutenção de vários prestadores de serviços em unidades hospitalares geridas

Delator revela grupo de gestores que cobrava “pedágio” de prestadoras de serviço do Ouro Verde
Gestores hospitalares ligados a Organizações Sociais formaram um grupo que cobrava uma espécie de “pedágio” para viabilizar a contratação e manutenção de vários prestadores de serviços em unidades hospitalares geridas por eles. O grupo, chamado de G6, pelo delator Ronaldo Pasquarelli, um dos donos da Vitale Saúde, antiga gestora do Hospital Ouro Verde, em Campinas, […]

Gestores hospitalares ligados a Organizações Sociais formaram um grupo que cobrava uma espécie de “pedágio” para viabilizar a contratação e manutenção de vários prestadores de serviços em unidades hospitalares geridas por eles. O grupo, chamado de G6, pelo delator Ronaldo Pasquarelli, um dos donos da Vitale Saúde, antiga gestora do Hospital Ouro Verde, em Campinas, contava, segundo ele, com outras cinco pessoas.

Daniel Câmara, filho dele e que também seria, segundo o Ministério Público, um dos donos da Vitale, Carlos José Massarenti, que é ligado a Pró-Saúde (Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar) e que, de acordo com o Gaeco, braço do MP que investiga o crime organizado, seria a real gestora uma vez que a Vitale era uma fachada para a atuação da Pró-Saúde, uma vez que essa era já conhecida por ser investigada por várias irregularidades no território nacional,

Além desses, fazia parte do grupo Walter Souza Pinto, Presidente de outra Organização Social, a InSaude (Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde) e Waldomiro Pazin, que atualmente integra o Conselho Nacional de Gestão em Saúde da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares. Ele que é réu em um processo da Justiça Federal e acusado pelo MP, durante Operação Dopamina, por fraude em licitação de implantes cerebrais no Hospital de Clínicas de São Paulo.

O G6 era responsável, segundo o delator, pelas entidades Vitale Saúde(com sede em Bariri), a OS João Marchesi (que tem sede em Penápolis)e a InSaude (de Bernardino de Campos)

Em depoimento ao Promotor do MP, Daniel Zulian, Ronaldo Pasquarelli disse que, durante as negociações com os fornecedores, já era apresentada a necessidade de uma contrapartida.

Segundo ele, todos os pagamentos eram feitos em espécie ao grupo. Pasquarelli disse que não havia uma regra específica de cobrança eque dependia do interesse das empresas em abrir mercado no Estado de São Paulo.

No depoimento ele citou mais de cinco empresas. Uma delas a firmar contrato com a Vitale, segundo um dos donos da OS, teria sido a PR Sistemas de Informática & Faturamento Hospital. A empresa fechou contrato com Organização para implantar o software de gerenciamento hospitalar e em 18 meses, teria dado ao G6, R$ 90 mil reais

Uma outra empresa, teria sido a Tec Saúde, com sede em Recife. No depoimento prestado ao MP, Pasquarelli comenta que a empresa tinha umgrande interesse em entrar no mercado paulista. Ela teria dado ao grupo oito parcelas de R$ 11 mil e só não deu mais, uma vez que a prefeitura começou a atrasar o pagamento a alguns fornecedores.

A empresa Supera Alimentação também foi citada por Ronaldo Pasquarelli. Ela teria pago apenas uma parcela no valor de R$ 10 mil ao longo do contrato, uma vez que a prefeitura teria começado a atrasar os pagamentos a fornecedores e ela não teria efetuado outras parcelas ao grupo.

A Supera Alimentos informou em Nota Oficial que não possui nenhum envolvimento com os gestores hospitalares. A empresa afirma também que a única relação com a Vitale foi o fornecimento de refeições e respectiva mão de obra durante o período contratual, não tendo sequer recebido pela totalidade dos serviços prestados e fornecidos.

A Supera Alimentos ressaltou também que há um débito em vias de execução judicial, com títulos protestados em desfavor da empresa Vitale, que supera R$1,5 milhão, o que por si só derruba a falsa afirmação de que a Supera teria pago qualquer valor para obter qualquer benefício, até porque não teve qualquer benefício – oque se vê pelo vultuoso valor que possui à receber da Vitale. A Supera encerra a Nota dizendo que é uma empresa transparente e atua dentro da mais plena legalidade, estando à disposição para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários.

Em Nota a Entidade Pró-Saúde informou que não teve acesso ao processo citado pela reportagem e nega, veementemente, a associação, ou qualquer vínculo, com a empresa Vitale. Disse também que nunca fez parte de nenhum grupo econômico e também nega ter qualquer associação com outras entidades.

Sobre as acusações citadas pela reportagem, a Pró-Saúde nega, e mais uma vez, veementemente, que os seus diretores mantenham qualquer tipo de relação com a empresa Vitale, ou com seus representantes.

A Pró-Saúde esclarece que os diretores da Vitale, Paulo Câmara,Daniel Câmara e Ronaldo Pasquarelli, trabalharam na Pró-Saúde e foram demitidos em 2014 e, desde então, mantêm uma relação litigiosa com a Instituição. Quanto à acusação de que a Pró-Saúde é uma empresa problemática, informamos que somos a instituição qualificada como organização social que tem o maior número de hospitais públicos com certificações de qualidade no atendimento ao SUS em todo o País, com elevados índices de satisfação por parte da população atendida.

Portanto, são descabidas as acusações de má gestão, pois os problemas enfrentados pela instituição em algumas unidades, ao longo dos 50 anos de sua atuação, são consequências da falta de transferência de recursos contratuais, por parte do poder público, para o custeio das unidades de saúde.

Por fim, a Pró-Saúde reafirma neste momento o seu compromisso com ações de fortalecimento de sua integridade institucional, por meio de seu programa de Compliance, e coloca-se à disposição de todos para prestar eventuais esclarecimentos, que ainda se façam necessários.

Já as demais empresas citadas na reportagem não enviaram um posicionamento até o fechamento da reportagem. Também foram procurados os advogados dos citados pelo delator Ronaldo Pasquarelli mas nenhum deu retorno à CBN.

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