Oito anos após ser anunciado como uma obra de grande impacto na melhora da área da saúde de Campinas, a unidade local do hospital Sírio Libanês jamais saiu do papel. O anúncio foi feito no dia 17 de dezembro, quando o então prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos, junto dos representantes do Hospital e da Vera Cruz Empreendimentos Imobiliários, fizeram o lançamento da pedra fundamental e dariam início às obras do Complexo de Saúde Sírio-Libanês.
A unidade de Campinas, teria 30 mil m² de área construída,com 150 leitos, sendo 30 de UTI, Centro de Diagnóstico com equipamentos de ponta e Centro Cirúrgico e Pronto Atendimento. A previsão de investimentos na construção seria algo entre R$ 180 e R$ 200 milhões. O complexo hospitalar seria erguido no quilômetro 123 da rodovia Campinas-Mogi, próximo ao pedágio de Jaguariúna. Porém hoje, oito anos após o anúncio, não há nada que indique alguma construção no local.
A demora na aprovação do plano de gestão local da Macrozona 2 foi responsável pela paralisação da obras em 2011. A área, que pertencia à fazenda Santa Paula, seria transformada em um bairro, que também seria modelo de modernidade e sustentabilidade. Nessa época, A Vera Cruz Empreendimentos Imobiliários, que iria construir o hospital como contrapartida à mudança de rural para urbana das terras da fazenda para implantação do bairro, informou que não tinha desistido do projeto, mas que a continuidade do projeto, estaria nas mãos do prefeito Jonas Donizette, que estava em seu primeiro ano de mandato.
O chefe do executivo disse na ocasião que a construção do hospital não se referia somente à questão do zoneamento. O Ministério Público queria que os empreendedores construíssem, além do hospital, uma estação de tratamento de esgoto para atender aquela região e implantassem um sistema viário que ligasse o bairro ao restante do município. As obras estão paradas desde setembro de 2011, quando a Prefeitura suspendeu os alvarás de execução e aprovação do bairro Santa Paula.
A suspensão pela Secretaria de Urbanismo atendeu a uma determinação do Tribunal de Justiça, que considerou inconstitucional a lei,criada pelo Legislativo em 2000, que expandiu a área urbana para o perímetro rural. Os vereadores não poderiam mudar o zoneamento, atribuição restrita do Executivo. Hoje, considerada uma área rural, essa região não pode receber empreendimentos e ser ocupada.
Em nota, a secretaria de saúde de Campinas foi procurada e afirmou que o projeto dependia de aprovação da Macrozona, portanto era um assunto que deveria ser direcionado à Secretaria Municipal Desenvolvimento Econômico, Social e Turismo que não atendeu às solicitações da reportagem. A assessoria do hospital Sírio Libanês informou que Campinas é um polo importante, mas que neste momento o projeto de construção da unidade no município está parada. O Sírio Libanês informou ainda que atualmente, aprioridade é executar o projeto de construção de uma unidade em Brasília.