Uma nova fase da Operação Lava Jato, de número 62, inclui a Região de Campinas. Cerca de 120 policiais federais cumprem um mandado de prisão preventiva, 5 de prisão temporária e 33 de busca e apreensão, em 15 diferentes municípios. Entre eles, Vinhedo, Piracicaba. Nesta fase da operação, o objetivo é apurar o pagamento de propinas disfarçado de doações de campanha eleitoral.
São investigadas atividades irregulares de uma empreiteira, responsável por viabilizar pagamentos ilícitos ao um grupo suspeito. O grupo investigado teria auxiliado essa empreiteira a pagar valores ilícitos de forma oculta e dissimulada, em operações de dólar-cabo, ou seja, través da troca de reais no Brasil por dólares em contas no exterior.
Para evitar o rastreamento dos valores e a descoberta dos crimes, o grupo teria utilizado técnicas sofisticadas para tentar despistar as autoridades. A manobra foi confirmada por um dos executivos da empreiteira investigada, em colaboração premiada. Ele afirmou que utilizou o grupo investigado para realizar doações de campanha eleitoral para políticos de outubro de 2008 a junho de 2014.
Em contrapartida, a empreiteira investia em negócios do grupo. A negociação ilícita resultou em dívida não contabilizada pela empreiteira com o grupo investigado, no valor de R$ 120 milhões. Também foi apurado que um dos executivos do grupo investigado, valendo-se do instituto do Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária, conseguiu regularizar em 2017, o valor de R$ 1 bilhão e 300 milhões.
Mediante apresentação de declaração falsa, ele declarou que esses valores seriam oriundos de atividades legais. De acordo com a investigação, há indícios de que essa regularização tenha sido realizada de forma irregular, com suspeita de que os valores seriam provenientes da prática de “caixa dois” na empresa.
O esquema desenvolvido com o grupo investigado pertence a uma das engrenagens do aparato montado pela empreiteira investigada com o objetivo de movimentar valores ilícitos destinados para pagamento de propina a funcionários públicos da PETROBRAS e da Administração Pública brasileira e estrangeira.
Também foi determinada ordem judicial de bloqueio de ativos financeiros dos investigados. Os presos estão sendo levados para a Superintendência da Polícia Federal no Paraná, onde serão interrogados. Além do estado de São Paulo, a operação ocorre ainda em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.