A primeira reunião do Conselho Municipalista criado para tratar da pandemia de covid-19 no estado de São Paulo revelou uma situação preocupante com a velocidade de propagação da doença no interior. O encontro reuniu representantes das 16 regiões administrativas paulistas, que foram responsáveis por um mapeamento da pandemia no território estadual. Nos últimos 11 dias, os casos confirmados da doença fora da Grande São Paulo cresceram quase 100%, passando de 4,3 mil para 09 mil.
Na última semana do mês passado, 40 novas cidades paulistas registraram casos pela primeira vez. Se a velocidade de infecção continuar deste jeito, todas as cidades de São Paulo terão casos de covid-19 até o final de maio. Hoje, o coronavírus está em 64% do território do estado. Em todas as cidades com mais de 70 mil habitantes há casos confirmados de covid-19. No dia 1º de abril, eram 16 cidades paulista com óbitos registrados e um mês depois, em 1º de maio, esse número saltou para 151. Nesta terça-feira, 12, são 177 municípios com óbitos registrados.
De acordo com o presidente do Conselho de Secretários de Saúde do Estado de São Paulo, Geraldo Reple, há uma enorme preocupação com a provável chegada do coronavírus nas pequenas cidades do interior. Ele explica que, normalmente não há leitos de UTI em cidades com menos de 10 mil habitantes, o que poderia gerar um problema de saúde muito sério nos próximos dias. “O mais importante é um dado, que a gente às vezes observa pouco: praticamente 80% dos municípios de São Paulo tem menos de 20 mil habitantes. E desses, nós temos 25% de municípios com menos de 10 mil habitantes. O que acontece é que normalmente municípios com menos de 10 mil habitantes não têm sequer um leito de UTI. E nós já temos casos de covid-19 em 25% desses municípios com menos de 10 mil habitantes. Isso é extremamente preocupante e como nós estamos vendo, a doença está indo. Ela está indo pelo interior até os rincões desse estado”, afirmou.
Os números do avanço da pandemia no interior, levou o estado a reforçar os pedidos de isolamento social por parte das pessoas. O coordenador provisório do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, Dimas Covas, afirmou que a capacidade de atendimento da saúde é que vai ditar os rumos das medidas tomadas no estado. Ele explica que se houver redução sistemática na taxa de contaminação pelo coronavírus por 14 dias seguidos e a taxa de ocupação de leitos de UTI for menor que 60%, haverá flexibilização das atividades econômicas. Mas se a evolução da doença seguir em alta velocidade, não está descartada da possibilidade de um lockdown, medida que obriga as pessoas a ficarem dentro de casa. “O sistema de saúde está nocauteado e você precisa tomar medidas que são drásticas. Ou seja, você para totalmente a circulação do vírus, porque o vírus anda com as pessoas e se você faz o trancamento, você impede que o vírus circule e portanto dali a 15, 20 dias, você vai observar uma queda de número dos casos. Então isso é muito importante, porque a capacidade do atendimento de saúde é o que determina a necessidade do que você chamou de lockdown”, explica.
Nesta terça-feira, 11, o estado de São Paulo tem 47.711 casos de covid-19 confirmados e 3.949 mortes. A taxa de ocupação de UTI no estado está em 69,1% e na Grande São Paulo em 85,7%.