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Postos querem diminuição do percentual de etanol na gasolina

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), entidade que representa mais de 41 mil postos de combustíveis pelo país, entrou com um pedido junto ao governo

Postos querem diminuição do percentual de etanol na gasolina
Foto: Danilo Braga

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), entidade que representa mais de 41 mil postos de combustíveis pelo país, entrou com um pedido junto ao governo federal para que a mistura de etanol anidro na gasolina seja reduzida de 27% para 18% do total.

O pedido ocorre após o aumento do custo do etanol anidro, que ocorre em um momento de redução da oferta do produto. Segundo o IBGE, a produção de cana-de-açúcar no Brasil no mês de abril caiu 3,4% em comparação com o mesmo mês no ano passado.

O preço do etanol disparou em várias cidades da região de Campinas na última semana. Em alguns postos em Campinas, o preço passou de R$ 3,95 para R$ 4,19 o litro. Em postos de combustíveis em Americana, o valor chega a R$ 4,39.

Segundo Flávio Campos, Presidente do Recap (Sindicato dos Postos de Combustíveis de Campinas e região), a redução na mistura levaria a um equilíbrio maior no mercado de combustíveis. “Pra diminuir a demanda de etanol nesse momento que tá tendo falta inclusive, com isso tendo uma oferta maior no mercado existe a possibilidade de os preços caírem. Existe uma faixa que vai de 18% para 27%, hoje estamos em 27% que é o máximo, e a proposta é reduzir para 15%, que é o mínimo”.

A medida repetiria o que foi adotado com o biodiesel. Devido à alta no preço da soja, o governo autorizou a redução de 13% para 10% do biodiesel no óleo diesel. Campos afirma que isso não geraria um aumento na gasolina, pois a oferta existente do produto consegue suprir a demanda, mesmo que ela cresça.

Segundo ele, outro fator que pode ajudar a derrubar o preço do etanol é a queda no consumo proporcionada justamente pelo preço, já que a maior parte da frota no Brasil é de carros flex. “Nos carros flex os consumidores podem na hora do abastecimento fazer a opção entre gasolina e etanol, e se os consumidores passarem a usar mais a gasolina, haverá um queda da demanda por etanol, e ele voltará a cair de preço”.

O Presidente do Recap afirma que neste momento o preço do etanol deveria estar mais baixo, mas acontecimentos incomuns para a época aumentaram o preço do produto. “Parece que a safra está atrasada por questões climáticas, porque nós estamos na safra já né, não tem uma justificativa plausível para ter aumento nesse momento”.

Outro problema é relacionado às usinas que têm capacidade de produzir tanto o etanol quanto o açúcar. Segundo Campos, muitas usinas tem optado por produzir mais açúcar, dado o preço atrativo para se exportar o produto, aliado à alta cotação do dólar.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) se manifestou contra o pedido dos postos de combustíveis de redução da mistura de etanol na gasolina. Em nota à imprensa, a entidade que representa usinas do setor chamou de “estarrecedor” e “indefensável” o pedido da Fecombustíveis.

De Campinas, GP.

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