O Governo do Estado de São Paulo anunciou que a data de início da vacinação em adolescentes está suspensa devido à incerteza sobre a quantidade de doses a serem recebidas do Ministério da Saúde. A vacinação do público de 12 a 17 anos com comorbidades estava prevista para ser iniciada em 18 de atrássto, logo após a conclusão da aplicação das primeiras doses na população adulta.
Porém, após o estado receber 228 mil doses a menos do imunizante da Pfizer, na última terça-feira (3), a data ficou em aberto, conforme relata o Secretário Executivo da Secretaria Estadual de Saúde, Eduardo Ribeiro. “A vacinação dos adolescentes do estado de SP está neste momento com sua data de início em aberto, isso se de por conta da redução do envio de vacinas da Pfizer para o estado de São Paulo”. O imunizante da Pfizer é o único autorizado para uso em adolescentes no Brasil até o momento.
O Ministério da Saúde alega que o envio de menos doses em relação ao previsto teria ocorrido devido a São Paulo ter retido mais doses de Coronavac do que lhe cabia, e que isso teria sido uma compensação, informação que o estado classifica como mentirosa. O Secretário Estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, afirmou que ao longo da campanha de vacinação o estado chegou a reter 52 mil doses a mais, mas que já foram descontadas em outros momentos.
O estado anunciou que tomará medidas jurídicas para que receba as doses as quais tem direito. “Entraremos e acionaremos o poder judiciário para discutir o critério adotado, e o percentual”, afirmou a procuradora geral do estado, Lia Porto Corona. A procuradora do Estado, Camila Pintarelli, classificou o episódio como grave. “A procuradoria geral do estado atua pelo interesse público, estamos diante de um episódio grave, vamos concluir nossos estudos técnicos e acionaremos o judiciário”.
Em uma reunião entre os estados e o Ministério da Saúde em 27 de julho cogitou-se alterar a proporção da distribuição de doses para cada estado, visando acelerar a vacinação, especialmente nos estados mais atrasados das regiões Norte e Nordeste. A intenção seria finalizar a aplicação de primeiras doses em toda população adulta do país antes de se iniciar a aplicação em adolescentes.
Porém, segundo o Governo de São Paulo, não houve definição quanto à isso, e por isso alterações não poderiam ter ocorrido. O estado afirma não ser contra a medida, mas cobra que haja clareza para que possa se planejar adequadamente.
O Secretário Executivo da Secretaria Estadual de Saúde, Eduardo Ribeiro, afirmou que o São Paulo não pode ser penalizado pelo sucesso da vacinação. O estado tem 22% da população do país e vem recebendo sempre mais de 20% das doses de cada remessa do Programa Nacional de Imunização, mas recebeu somente 10% do total na última terça-feira.