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Preços dos combustíveis complicam motoristas de app

Muitos passageiros vêm enfrentando dificuldades na hora de solicitar uma viagem em transporte por aplicativo em Campinas. Os recentes aumentos nos combustíveis afastaram alguns motoristas, e boa parte dos que

Preços dos combustíveis complicam motoristas de app
Foto Flávio Botelho

Muitos passageiros vêm enfrentando dificuldades na hora de solicitar uma viagem em transporte por aplicativo em Campinas. Os recentes aumentos nos combustíveis afastaram alguns motoristas, e boa parte dos que seguem trabalhando passaram a selecionar as corridas, pois corridas curtas acabam não compensando.

É o que relata o motorista de aplicativo Ailton de Souza. Segundo ele, com o gasto atual com combustível necessário, só seguem trabalhando nas plataformas aqueles que estão desempregados e com dificuldades em encontrar outra ocupação. “Tá difícil de a gente trabalhar, a gente tem que ficar selecionando, tem corrida que não dá nem 40, 50 centavos por km, cerca de 40% a 45% fica na gasolina, tem dia que faço R$ 250 a R$ 300 e quando vou no posto no final do dia tenho que por de R$ 130 a R$ 150, praticamente tá quase inviável de a gente trabalhar, entendeu?”

Além dos combustíveis, o percentual que fica com as plataformas também é motivo de reclamação dos motoristas, como Antônio Vieira, que afirma que muita gente está desistindo de trabalhar com as plataformas, pois não está mais compensando. “Está ficando impossível e inviável trabalhar com aplicativo em Campinas, eu rodo cerca de 300 km por dia, e só de combustível gasto até R$ 170, fora pneu, fora óleo, e com isso muitos motoristas estão abandonando as plataformas, pois a conta não fecha mais”.

É o caso de Luís Fernando Tontoli, que foi motorista de aplicativo até fevereiro deste ano, e afirma que além do preço dos combustíveis, há também outros fatores que o fizeram parar. “Eu parei de trabalhar como motorista de aplicativo pois a locadora que eu alugava o carro não prestava mais serviço adequado, a taxa de repasse não estava dando nem R$ 1 por km rodado, isso porque a gasolina e o álcool ainda estavam em um preço acessível, não sei como os motoristas ainda estão trabalhando hoje em dia”. Ele calcula que, caso tivesse continuado a trabalhar com as plataformas, teria de trabalhar cerca de 12 horas por dia para conseguir uma renda mensal que não chegaria a R$ 2 mil.

A CBN entrou em contato com a Uber e a 99, as duas principais plataformas de transporte por aplicativo em Campinas. A Uber informou, por meio de nota que com o aumento constante dos combustíveis vem intensificando esforços para ajudar os motoristas parceiros a reduzirem seus gastos, com parcerias que oferecem desconto em combustíveis, por exemplo, assim como tem feito revisões e reajustado os ganhos dos parceiros, além de lançar promoções com ganhos adicionais em viagens de curta distância.

Já a 99 afirma também ter uma parceria que oferece desconto em uma rede de postos de combustíveis, e que mantém constantemente em análise suas tarifas e serviços. A empresa afirma que houve reajuste nos ganhos dos motoristas entre 10% e 25%, e que lançou um pacote de ações que prevê, entre outras iniciativas, o repasse integral do valor da corrida aos parceiros em localidades e horários específicos. A plataforma afirmou ainda que há um teto máximo de 30% do valor total das viagens para a empresa.

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