O comportamento do consumidor mudou no Brasil durante a pandemia. Segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o segmento de comércio alimentício foi o que mais cresceu em compras pela internet. entre o segundo semestre de 2020 e o primeiro de 2021, 54,8% dos internautas brasileiros pediram comida por aplicativos, sites ou WhatsApp. Em 2019 esse percentual era de 30,4%.
Marcella Moraes é consultora de marketing e precisou se adaptar durante a pandemia, já que tinha um filho de apenas um mês e meio no começo da quarentena. O fato de sua mãe ter tido complicações por conta da Covid-19, em março de 2020, fez com que ela optasse por sair cada vez menos e adotasse de vez o delivery. “O que nos chamou bastante atenção durante esses dois anos foi o aumento das possibilidades de entrega. Então, a gente conseguiu pedir japonês, os hamburgueres, e eu percebia cada vez mais uma qualidade melhor na batata frita. E também o que nos chamou atenção foi a questão de conseguirmos pedir produtos que antes nós não consumíamos por delivery com um gelato. Tanto é que atrásra voltamos a sair, mas de sexta-feira é sempre delivery aqui em casa.
Segundo Camila Cavalcanti, fundadora da Nero Gelato, foi necessário realizar diversas mudanças para entregar os produtos com uma boa qualidade. “O nosso gelato sempre foi em um isopor mais grosso, mas a gente precisou adaptar a embalagem, deixá-la de uma maneira que garantisse uma comunicação e que a nossa experiência se mantivesse junto com o cliente. E aí, não só a comunicação da embalagem, mas também comunicação de rede social. Gerar o desejo do consumo em casa de um produto que em geral as pessoas estão adaptadas e preferem sair para consumir.”
Antonio, também um dos criadores da empresa, acredita que essa modalidade seguirá por bastante tempo, mesmo com a volta presencial nos estabelecimentos. Ao longo desse processo, a gente viu que o delivery veio para ficar. Mesmo com a abertura das lojas, ele começou a ser representativo. Então, a gente já tinha investido nas plataformas de pedidos de comidas, mas resolvemos fazer o nosso próprio aplicativo, o que foi muito bom, pois hoje a gente tem todo o controle da nossa base.” Antes da pandemia, só uma loja tinha esse serviço, hoje são 5 das 8 que atendem por aplicativo.
De acordo com Roberta Pinheiro, administradora de empresa e consumidoras de deliveries, algumas lojas demoraram para se adaptar, mas atrásra esse tipo de serviço já é uma realidade. “Eu acho que alguns lugares foram mais difíceis, pois a gente tinha que fazer um pedido e esperar a confirmação, tinha que ir até o local para retirar, outros não tiveram deliveries. Outros lugares depois de algumas semanas começaram a se adaptar, fizeram sistemas de entrega. Eu acho que de forma geral deu certo. A gente usa bastante e bem variado.”
De acordo com a VR Benefícios, em uma pesquisa feita em conjunto com o Instituto Locomotiva, 89% dos comércios alimentícios brasileiros utilizam o serviço de entrega como estratégia de vendas. O índice é 29% maior do que o registrado antes da pandemia e representa 56% do faturamento dos negócios no setor.