“Silvia Brandalise e sua luta no combate ao câncer da criança e do adolescente”. Esse é o título do livro que promete contar a trajetória da médica oncologista e fundadora do Centro Infantil Boldrini.
O livro foi lançado nesta terça-feira (29), às 15h, no Centro de Pesquisa Boldrini.
A escritora Rita Ribeiro dedicou quatorze meses à pesquisa e à produção do livro que ficou pronto no primeiro semestre de 2020, mas precisou ter o lançamento adiado devido à pandemia de Covid-19.
Pouco antes da cerimônia de lançamento, a escritora Rita Ribeiro falou com a reportagem da CBN Campinas e contou que a admiração que ela tem pela Dra.Silvia Brandalise passou de uma ideia romântica para uma admiração realista.
“ Eu conhecia muito e admirava muito, mas a minha admiração era de leigo, do que todo mundo sabe. Na hora que eu me aprofundei na pesquisa e fui descobrindo a dimensão do trabalho e de como esses resultados foram alcançados, eu passei de uma admiração com um certo romantismo para uma admiração muito realista”.
Em 1978, ano em que o Centro Infantil Boldrini foi criado ainda como um ambulatório, menos de 10% das crianças diagnosticadas com algum tipo de câncer sobreviviam.
Hoje, a taxa de sobrevida de crianças que recebem o diagnóstico de tumor cerebral, por exemplo, é de 65% a 70% no Centro Infantil Boldrini, taxa muito superior à nacional, que é de 28%.
Segundo a Dra. Silvia Brandalise, o maior desafio da oncologia pediátrica brasileira é o diagnóstico tardio.
“O diagnóstico para tumor cerebral aqui no Brasil, aqui na nossa região, é, em média, de seis meses a oito meses onde a criança conta o sintoma, mas o médico não faz a suspeita diagnóstica. Nós temos casos da região que o resultado da biopsia o médico foi ler dois meses depois. Aí, era uma adolescente, chega quase morrendo aqui no hospital. Então, as nossas crianças sofrem o problema que a gente tem na estrutura da saúde pública”.
A Dra. Silvia Brandalise afirma que em mais de quatro décadas de trabalho no combate ao câncer infantil sempre fez o que podia e da melhor maneira possível para contribuir com o desenvolvimento da medicina brasileira.
“Eu uso essas atribuições, essas ferramentas, para poder ajudar o próximo e para poder proporcionar um desenvolvimento em nosso país. Eu me inspirei em um filósofo chamado Ortega y Gasset. Ele diz assim: eu sou eu e minhas circunstâncias. Na minha circunstância muitas vezes eu tive que largar o filho e ir para o hospital. Com isso você não carrega sentimento de culpa, você faz o que pode e da melhor forma”.
No futuro próximo, a Dra. Silvia Brandalise pretende criar o Fundo Patrimonial Perene para Pesquisa no valor de R$500 milhões. O Fundo vai manter duzentos jovens pesquisadores em período integral.
Outro projeto que está em andamento é a construção de um Hospital de Especialidades Pediátricas que pode ter até 200 leitos e já foi desenhado pelo Departamento de Pediatria da Unicamp.
O hospital vai atender casos complexos de doenças hepáticas, imunodeficiências, problemas cerebrais e malformações congênitas.
De acordo com a Dra. Silvia Brandalise, ainda não há previsão para o início das obras.