Com a volta da recomendação, sem caráter obrigatório, do uso de máscara, feito pelo Comitê de Contingência da Covid-19 do Governo de São Paulo, algumas cidades da região já estão acatando a decisão. A mudança ocorre em meio a uma alta de 120% de internações da doença em maio.
Em Sumaré, por exemplo, a prefeitura voltou a obrigar o uso de máscaras nas escolas públicas e particulares. Assim como em Cordeirópolis, que registrou 80 pacientes pediátricos atendidos com problemas respiratórios em apenas um dia.
Para a médica infectologista da Unicamp e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, Raquel Stucchi, apesar dos dados justificarem a retirada das máscaras em março, a medida foi precipitada e o aumento dos casos já era esperado. “Acho que foi uma medida precipitada, talvez para agradar alguns naquele momento, mas esse retorno atrásra, esse aumento do número de casos, infelizmente das internações também já estavam no nosso radar e já era esperado.”
De acordo com Raquel, para uma maior efetividade, o uso de máscara deveria ser obrigatório e não uma recomendação. “Infelizmente eu já ouvi muitos comentários nas redes sociais de pessoas dizendo: ‘Ah, é recomendação, não é obrigatoriedade’. Como quem diz: ‘Ah, tudo vai continuar como está’. Isso é uma pena, primeiro é uma pena que não tenha sido colocado pelo Comitê como uma obrigatoriedade e, talvez, algumas questões políticas justifiquem esta adoção, e é uma pena também as pessoas não se sensibilizarem e perceberem o momento em que estamos vivendo.”
Apesar do crescimento de casos, 10 milhões de pessoas ainda estão com dose de reforço da vacina atrasada em SP. Segundo a infectologista, essa baixa adesão vacinal, em conjunto com a sazonalidade, ajudam no aumento da circulação da doença. “A gente precisa da vacinação das crianças para ter o maior número de pessoas completamente vacinadas. E a nossa população abaixo de 60 anos com as três doses ainda é muito pequena. A quarta dose para os idosos imunossuprimidos também não temos uma cobertura satisfatória. Então, temos a preocupação de um aumento das internações, que não deve ser com o mesmo impacto que nós tivemos no começo do ano e no ano passado, graças até à vacinação.”
Em nota, a Prefeitura de Campinas se posicionou sobre a decisão, afirmando que, diferente do Estado, levou em conta não somente a covid, mas o contexto de todas as doenças respiratórias, e manteve uso de máscaras nos serviços de saúde, em ambientes fechados das escolas, Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPIs) e no transporte público meses atrás. A administração também anunciou que vai tratar deste tema na reunião do Comitê Covid nesta quinta-feira, 02, e rever a necessidade de ampliar as restrições ou recomendações, conforme situação epidemiológica atual.