CBN Campinas 99,1 FM
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Compartilhe

Campinas tem cinco “pântanos alimentares”

Cinco das dezoito macrorregiões de Campinas são pântanos alimentares, ou seja, são territórios com alta oferta de alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, biscoitos recheados e refrigerantes, e baixa oferta de produtos

Campinas tem cinco “pântanos alimentares”
Foto: Arquivo/Marcello Casal/Agência Brasil

Cinco das dezoito macrorregiões de Campinas são pântanos alimentares, ou seja, são territórios com alta oferta de alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, biscoitos recheados e refrigerantes, e baixa oferta de produtos in natura, como frutas, verduras e legumes.

Essas cinco regiões abrangem cerca de vinte bairros, entre eles: Jardim Garcia, São Marcos, São Bernardo, Carlos Lourenço, Vila Lemos e os DICs.

As pessoas que vivem nessas regiões têm menos acesso a supermercados, feiras livres e agroecológicas, e mais chances de ter diagnóstico de câncer, diabetes, hipertensão e doenças gastrointestinais.

A conclusão é de um estudo do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Alimentação da Unicamp.

De acordo com a pesquisadora Ana Clara Duran, as pessoas que vivem em “pântanos alimentares” também têm menos acesso a serviços de saúde, transporte e lazer.

“Até feiras livres que são reguladas pelo poder público local – que é a Prefeitura que organiza, que define onde vai ter a feira – até essas são mais frequentemente encontradas nas regiões mais ricas da cidade. Inclusive, a literatura está começando a usar – ao invés de “pântano alimentar” – “apartheid alimentar”. Quando a gente fala em “pântano” parece que é uma coisa dada, e não é. É algo que foi construído pela nossa sociedade, uma sociedade desigual que não está acolhendo as pessoas que mais necessitam.”

A Prefeitura de Campinas informou que busca superar o desafio dos pântanos alimentares com serviços como o “Banco de Alimentos”, que fornece cestas básicas à população, e o projeto “Viva Leite”, que atende 2,4 mil crianças. 

Além disso, a administração destacou que oferece o Cartão Nutrir, atualmente para 26 mil famílias.

Para Ana Clara Duran, a Prefeitura precisa fazer mais.

“O Banco de Alimentos é um instrumento que tem ajudado, mas não é suficiente. Aumentar o escopo do programa Nutrir é uma forma de tentar remediar a situação. Em termos de oferta, levar mais feiras de produtores para vender para essas famílias que não têm como se deslocar até o centro ou pagar o valor do centro.”

Ainda segundo a pesquisa, nas regiões onde há mais renda e menor percentual de moradores pretos e pardos existe maior concentração de todos os tipos de estabelecimento em comparação com as regiões mais vulneráveis.

Conteúdos