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Em sessão, vereadores pedem afastamento de Zé Carlos e CPI

A Câmara de Campinas teve uma sessão esvaziada na noite de quarta-feira (17). Alvo da operação que apura a denúncia de pedidos de propina a empresas terceirizadas da casa, o

Em sessão, vereadores pedem afastamento de Zé Carlos e CPI
Foto: Divulgação/Câmara de Campinas

A Câmara de Campinas teve uma sessão esvaziada na noite de quarta-feira (17). Alvo da operação que apura a denúncia de pedidos de propina a empresas terceirizadas da casa, o presidente da Câmara, vereador Zé Carlos (PSB), esteve ausente da sessão, que foi presidida pela vice, a vereadora Débora Palermo (PSC).

A sessão foi aberta com quórum mínimo, de 1/3 dos vereadores, ou seja, somente 11 dos 33 estavam presentes no momento da abertura. Posteriormente o quórum chegou a 20 vereadores. Alguns dos vereadores discursaram pedindo o afastamento de Zé Carlos da presidência.

Marcelo Silva (PSD) foi um dos primeiros a falar sobre o caso, e relatou que teve participação direta na denúncia, instruindo um empresário que teria sido vítima de um pedido de propina. “Em fevereiro de 2021 fui procurado por uma terceirizada dizendo que estavam acontecendo conversas estranhas, quando tive acesso e ouvi, são 3 áudios, 2 conversas com advogado e uma com Zé Carlos, eu ouvi, está no processo, e logo todos terão acesso, aquilo é grave, e orientei a pessoa a procurar o órgão competente para investigar, o Ministério Público”.

Nelson Hossri, também do PSD, defendeu, além do afastamento de Zé Carlos, a abertura de uma CPI, o que já é apoiado por outros vereadores de direita, como Marcelo Silva, Major Jaime (PP) e Paulo Gaspar (Novo). “É preciso obviamente uma apuração, não é de hoje que a Câmara tem sua imagem manchada, por isso é fundamental que nós vereadores, representantes do povo, assinem uma CPI para mostrar que aqui não é lugar onde se esconde sujeira embaixo do tapete”.

Os parlamentares dos partidos de esquerda aproveitaram para criticar a terceirização, e afirmaram que estão dispostos a conversar sobre a abertura de uma CPI. Mariana Conti (PSOL) pediu que Marcelo Silva disponibilize os áudios e provas contra Zé Carlos aos demais vereadores. “Não é a primeira vez que temos escândalos envolvendo a terceirização, todos se lembram do escândalo do Hospital Ouro Verde, a terceirização fragiliza as relações trabalhistas e é uma avenida para a corrupção, e sobre a proposta da CPI, estou disposta a conversar, que o vereador Marcelo (Silva) apresente para nós quais são os fatos concretos”.

Paulo Búfalo, também do PSOL, questionou por que Marcelo Silva não fez uma denúncia para investigação na própria Câmara no ano passado, e defendeu que uma eventual CPI investigue não somente o caso de Zé Carlos, mas todos contratos terceirizados da Câmara, e até da Prefeitura. “Nós queremos saber se vamos fazer um recorte neste fato específico ou se vamos ter a coragem suficiente para olhar para o conjunto dos contratos terceirizados por esta casa ou pela Prefeitura de Campinas, que já tem muitos indícios de esquemas de corrupção”.

O líder de governo na Câmara, Luiz Rossini (PV), que tem Zé Carlos como aliado, se mostrou moderado, e disse que é necessário aguardar as investigações para tirar conclusões, além de respeitar o direito de defesa de Zé Carlos “Eu acho que nós não podemos nos antecipar, pré-julgar, e condenar ninguém sem o devido processo tramitado e concluído, Zé Carlos deve merecer, no mínimo, o benefício da dúvida, certamente ele terá toda oportunidade de apresentar a sua defesa, oxalá ele consiga provar a sua inocência”.

Seis itens foram votados na sessão, sendo o principal em relação ao projeto de resolução de tornar o mês de Novembro como o Mês da Consciência Negra do Legislativo. A proposta, de autoria da Mesa da Câmara, que é encabeçada por Zé Carlos, foi aprovada em turno único.

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