Duas semanas depois da Operação Lambuja, que investiga crimes de corrupção passiva supostamente cometidos pelo presidente da Câmara de Vereadores de Campinas Zé Carlos e o subsecretário de Relações Institucionais da casa, Rafael Creato, não houve nenhuma movimentação relevante para que o Legislativo tome alguma atitude para também apurar as denúncias levantadas pelo Ministério Público.
O vereador Marcelo Silva, do PSD, pede a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito contra Zé Carlos. Por enquanto, tem apenas seis assinaturas, dos quatro vereadores de partidos independentes e da bancada do PSOL. São necessários 11, ao todo.
Em entrevista ao CBN Campinas, Marcelo se mostrou irritado com o que chama de inércia da casa.
Os áudios em questão são de gravações de conversas do presidente do legislativo com representantes do Grupo Mais Comunicação, que é responsável pela operacionalização da TV Câmara Campinas.
A empresa teve o contrato renovado no começo do ano, e, segundo o Ministério Público, foi “convidada” por Zé Carlos para ‘pagar um valor a mais’ para ter a garantia da operação.
O dinheiro, porém, não veio.
A reportagem consultou os arquivos da licitação que escolheu o Grupo Mais, em 2019. Uma das regras é que o valor só é pago pela quantidade de produção feita pela TV Câmara.
Ou seja, nem todo o valor máximo previsto é gasto de fato.
Por isso, Zé Carlos não teria conseguido o suposto dinheiro da propina.
Dados levantados pelo Ministério Público apontam que outros empresários também foram “convidados” a pagar para ter supostos benefícios na renovação dos contratos, mas as tentativas também foram frustradas.
Marcelo Silva nega que qualquer relação pessoal com Zé Carlos teria motivado a denúncia.
O vereador acredita que a indefinição de Zé Carlos em renunciar à presidência do legislativo acontece por causa da preocupação do restante da bancada em não conseguir se candidatar ao próximo mandato da Câmara, que acontece em janeiro.
