A CPI da propina da Câmara de Campinas nesta quarta-feira (26) a fase de depoimentos, e o primeiro a ser ouvido foi o empresário Celso Palma, responsável pela empresa que atualmente comanda a TV Câmara. Palma é o autor das gravações que deram base às denúncias feitas ao Ministério Público, de que o presidente afastado da Câmara, Zé Carlos (PSB), cobraria propina para renovação de contratos da Câmara com empresas terceirizadas. No depoimento, Palma confirmou que recebeu pedidos de propina de Zé Carlos e do ex-subsecretário de Relações Institucionais da Câmara, Rafael Creato. Segundo Palma, toda negociação passava por Creato.
O empresário afirmou que teve certeza que estava recebendo um pedido de propina quando Zé Carlos lhe perguntou que tipo de acordo ele teria com o antecessor na presidência, o ex-vereador Marcos Bernardelli (PSDB). “A primeira conversa ele falou que não sabia que acordo eu tinha com o Bernardelli, isso deixou muito claro para mim que na verdade ele estava querendo algum favorecimento, deixei claro que nunca estive com o Bernardelli além do dia da contratação, e na segunda conversa acabou desdobrando tudo, e dei graças a Deus de ter gravado a primeira”. Palma relatou que fez parte das gravações com um relógio escondido na meia, e afirmou ter recebido um pedido de propina no valor de mil reais mensais, pedido que ele disse ter recusado.
O empresário afirmou que passou a ser ameaçado de rompimento ou não-renovação do contrato, e afirmou que, por isso, em uma das conversas revelou à Creato que havia gravado as conversas anteriores com os pedidos, e que, mesmo assim, passou a ser alvo de perseguição na Câmara. “Eu senti várias coisas que eram nítidas de perseguição, a controladoria chega com N questionamentos, a gente tirou todas as dúvidas, o controlador disse que tinha entendido tudo, mas quando foi apresentar os questionamentos dele estavam lá todos os que havíamos explicados, cheguei a me encontrar com o Zé Carlos nos corredores e ele, com o papel dos questionamentos na mão, dizia haver várias irregularidades e dizia que iria me tirar, ele estava procurando um motivo nítido”.
Ele afirmou também que o contrato passou a ter vários fiscais, o que não seria comum, já que outros contratos com terceirizadas da Câmara teriam apenas um fiscal cada, e citou como exemplo outro contrato que ele tem com a Câmara, sobre a parte do áudio, no qual os equipamentos não são fiscalizados.
Palma relatou ainda que a empresa dele foi boicotada em 2014 ao vencer a licitação para a TV Câmara. Segundo ele, houve uma exigência de documentação que seria inviável, o que levou à desclassificação da empresa, e com isso outra empresa assumiu.
Segundo ele, responsáveis por essa outra empresa admitiram a ele que pagavam propina para vereadores de Campinas relacionado ao contrato da TV Câmara, e que o sócio dele na época havia recebido um pedido de propina da Câmara antes da desclassificação. “Eles falaram ‘você nunca vai ganhar lá pois você não repassa, a gente repassa”. Palma confirmou que o assessor do então presidente da Câmara, Campos Filho, teria feito um pedido de R$ 50 mil ao sócio dele antes da desclassificação.
O empresário afirmou ainda que, sem que ele solicitasse, houve o aluguel de um Switcher, com um equipamento inferior ao que ele já dispunha. O aluguel superaria R$ 400 mil, sendo que Palma afirma ter pago cerca de R$ 30 mil para comprar um equipamento superior, e que hoje está encostado, e o contrato foi firmado justamente com a empresa que anteriormente tinha o contrato da TV Câmara.