Duas decisões do Tribunal Superior Eleitoral na reta final do segundo turno chamaram a atenção sobre a liberdade de imprensa e os limites de fala.
Uma delas foi a retirada de um trecho de aproximadamente oito segundos de uma fala do ex-presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, em que diz que o candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não foi inocentado no processo da Operação Lava Jato. O vídeo foi exibido pela campanha do candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), mas sim que o caso foi anulado.
Em entrevista exclusiva à CBN Campinas, o ex-ministro se incomodou com a decisão.
A outra foi de proibir a emissora Jovem Pan de tratar fatos envolvendo a condenção do candidato do PT.
A manifestação da coligação de Lula pedia direito de resposta contra a campanha do presidente Jair Bolsonaro, porém também requeria o impedimento para que os assuntos abordados na publicidade continuassem a ser comentados no veículo de comunicação.
A Justiça Eleitoral entendeu por proibir a emissora de relatar e comentar determinados temas, a pedido da coligação encabeçada pelo PT, sob pena de multa diária para o canal e para os jornalistas de R$ 25 mil.
Para Marco Aurélio Mello, isso é uma forma de censura.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Associação Nacional de Jornais e a Federação Nacional das Empresas de Rádio e Televisão repudiaram as decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com relação ao cerceamento de conteúdos jornalísticos.
Fazendo uma analogia ao futebol, o ex-ministro considera que, assim como o árbitro deve aparecer pouco durante uma partida, o juiz também deve se manter à margem dos holofotes, se referindo à atuação do Ministro Alexandre de Moraes, atual presidente do TSE.
Isso porque o candidato que não concorda com a decisão teria que entrar com um pedido na Justiça, e até isso ser avaliado, a eleição já teria passado.
