Integrantes da chapa 1 para a presidência do Sindicato dos Rodoviários ameaça fechar o Terminal Ouro Verde no começo da tarde desta sexta-feira, em protesto a uma decisão que suspendeu a eleição da presidência da categoria, que está vaga desde a morte de Nilton de Maria, assassinado na porta de casa em janeiro deste ano, no Parque Anhumas.
Um vídeo obtido pela CBN Campinas mostra alguns dirigentes, durante a manhã, anunciando a paralisação caso “não seja resolvida a questão da eleição”.
Segundo a advogada Kátia Gomide, pelo menos duas urnas que seriam levadas para Indaiatuba, para que os motoristas de uma das garagens pudessem escolher os representantes, estavam com os cadeados quebrados.
Em conversa com a CBN, ela disse que também foi entregue uma lista com uma quantidade maior de sócios do sindicato para votar, e que pelo menos 200 nomes pertenceriam a uma outra entidade, fundada em 2018.
Outro vídeo, gravado aparentemente durante a madrugada, mostra o interventor do sindicato falando que não teria condições de fazer uma nova eleição na semana que vem, por exemplo, porque a entidade está sem dinheiro.
O interventor cancelou as eleições desta sexta-feira, vai incinerar as urnas já utilizadas e vai promover um pente-fino na listagem de integrantes junto ao Poder Judiciário.
Na semana passada, segundo o relato, R$ 27 mil teriam sido bloqueados para pagamentos de disputas jurídicas que não foram defendidas pela entidade sindical.
Entenda a disputa
A morte de Nilton de Maria foi apenas mais um estopim de uma disputa que começou em 2008, quando a antiga diretoria se envolveu em um escândalo de extorsão contra o convênio médico, plano utilizado por grande parte dos colaboradores do ramo na época.
A oposição começou a ganhar espaço, mas a disputa pelo poder tem criado vários embates, colocando a população no meio disso tudo.
Foi em 28 de março de 2008 que o presidente do sindicato, Matusalém de Lima, tesoureiro Gabriel Francisco de Souza e o secretário-geral Izael Soares de Almeida, juntamente com a advogada Kátia Gomide e o marido dela, o assessor sindical Marcos Cará, foram indiciados por crime de extorsão e formação de quadrilha.
Os sindicalistas foram acusados de tentar extorquir R$ 600 mil do plano de saúde. José Júlio dos Santos, da oposição assumiu a presidência do sindicato.
Em 16 de abril de 2009, manifestantes foram à garagem da VB 3 para tentar uma paralisação. A justificativa dada para a manifestação foi a de que as empresas não estariam interessadas em negociar a pauta de reivindicações apresentada mas a ação foi feita com objetivo de dar visibilidade à nova diretoria, formada por José Júlio;
Em 7 de maio do mesmo ano, enquanto a Transurc e o sindicato estavam em período de negociação dos salários, foi anunciada uma paralisação para o dia 11 daquele mês. A ação foi considerada precipitada.
15 de novembro de 2011: mais de 1.400 motoristas e cobradores, quando ainda haviam, da VB 1, atrasaram a saída em três horas e meia. O sindicato alegou que a empresa estaria descumprindo cláusulas do acordo coletivo, como não pagamento de horas extras. Auditoria feita pela empresa comprovou que não havia irregularidades.
Em dezembro de 2011, uma disputa interna para ver quem ‘pararia’ a garagem da VB 1 aconteceu. A diretoria do sindicato queria a paralisação no dia 13, mas, no dia 11, a oposição se antecipou, e a greve do dia 13 foi adiantada para o dia seguinte.
Em março de 2012, manifestantes ligados ao sindicato atrasaram a saída dos ônibus da VB 3, das 6h30 às 7h30, com o pedido de melhorias de infraestrutura nos terminais.
Em 12 de maio do mesmo ano, a tentativa de criar um novo sindicato dissidente parou a VB 3 por cinco horas, surpreendendo até os trabalhadores. O movimento foi porque membros do Sindicato dos Rodoviários impediram a realização do que seria a assembleia oficial do novo sindicato, no dia anterior.
No dia 15, houve confronto entre integrantes do sindicato e do sindicato dissidente na garagem da VB 3.
De 2012 até atrásra aconteceram algumas paralisações especialmente durante os períodos de negociação salarial, mas “dentro da normalidade”. Outras eleições aconteceram durante o período, sempre com a disputa entre a chapa de Matusalém de Lima e a oposição.
Porém, em janeiro deste ano, a surpresa: após ameaças, Nilton de Maria foi assassinado com um tiro na nuca na porta da casa dele, no Parque Anhumas.
A polícia apontou sete pessoas envolvidas no assassinato. Dos sete, o delegado Rui Pegollo pediu a prisão preventiva de três deles – Isael Soares de Almeida, Anderson Francisco Caminoto da Silva e Jefferson Cardoso de Oliveira. O crime custou R$ 5 mil aos mandantes – R$ 4 mil foram para os assassinos e R$ 1 mil para o intermediário.
De acordo com o delegado Rui Pegolo, o crime ocorreu por causa da disputa pelo controle sindical. Izael, que já foi diretor da entidade, fazia oposição à atual diretoria – que elegeu Nilton como presidente da entidade sindical no ano passado. Já Anderson, que era integrante da chapa da situação, rompeu e sentiu-se prejudicado.
Izael negou que tenha participado do crime, dizendo que era uma conspiração contra a atuação sindical que denunciou a suposta corrupção. Ele nega aproximação entre ele e Anderson.