A morte da menina Isabela Fermino, de 7 anos, atingida por um eucalipto com 20 metros de altura na Lagoa do Taquaral, em Campinas, completa três meses sem que as apurações da Polícia Civil tenham sido finalizadas.
O caso é apurado pelo 4º Distrito Policial como morte acidental e, desde a tragédia, a polícia já registrou uma série de depoimentos, mas ainda precisa concluir esta fase e espera por laudos que serão entregues pelo Instituto de Criminalística. O prazo de 90 dias foi pedido por causa da “complexidade do caso”.
Uma jovem de 27 anos também ficou gravemente ferida após a queda da árvore. Ela passou por duas cirurgias no período de dez dias em que ficou internada no Hospital Mário Gatti, antes de ser liberada.
O delegado titular do 4º Distrito Policial, Maurício Geremonte, ouviu a família da menina, a sobrevivente, e também esclarecimentos prestados pelo secretário de Serviços Públicos de Campinas, Ernesto Paulella, e do diretor do Departamento de Parques e Jardins (DPJ) na cidade, Luís Cláudio Nogueira Mollom. Detalhes não foram informados.
Sabe-se, porém, que os servidores públicos falaram sobre laudos divulgados pelo governo municipal e produzidos pelos institutos de Pesquisa Tecnológica e Biológico de SP após a queda da árvore.
Os documentos apontaram o solo encharcado como provável causa do tombamento, mas também indicaram que idade, as raízes pouco desenvolvidas e o solo pobre podem ter contribuído para o fato.
Em contrapartida, um laudo elaborado pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema) e mostrado durante reunião da Comissão de Arborização da Câmara de Vereadores, no início do mês, apontou novos fatores como possível causa do eucalipto: a perda de copa (galhos e folhas) ao longo dos anos, e a falta de monitoramento sobre a situação das árvores na principal área pública da cidade.
A prefeitura, por outro lado, alegou que não recebeu qualquer documento oficial do Comdema à época e, com base nos laudos, garantiu que o eucalipto estava sadio e reafirmou que a queda foi decorrente do encharcamento do solo provocado pelas chuvas intensas em dias anteriores.
Ainda faltam ser ouvidas sobre o caso testemunhas que o pai da criança irá apresentar. Um dos laudos aguardados pelo delegado trata sobre um “levantamento de local”, enquanto o outro documento é “específico” e aborda as condições de solo e das árvores do parque.
Neste contexto e diante da divergência de posicionamentos, a polícia ainda não finalizou o inquérito.