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Mulher de Valinhos é suspeita de integrar possível esquema de tráfico de bebês

A Polícia Federal começa a investigar quais pessoas ajudaram o empresário português Marcio Mendes Rocha, de 49 anos, a registrar dois bebês em menos de 40 dias com o objetivo

Mulher de Valinhos é suspeita de integrar possível esquema de tráfico de bebês
Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal começa a investigar quais pessoas ajudaram o empresário português Marcio Mendes Rocha, de 49 anos, a registrar dois bebês em menos de 40 dias com o objetivo de levá-los ao exterior em um possível esquema de tráfico internacional de bebês.

Uma das pessoas é uma mulher que se diz secretária de Marcio. Márcia Godoy é ativa em grupos nas redes sociais da cidade de Valinhos, costumava denunciar problemas do município e liderava campanhas de arrecadação. Ela teria ajudado o português com documentos falsos e na comunicação com duas mães, que tiveram os bebês na Santa Casa do município.

O celular dela foi apreendido durante a operação, no dia 4 de dezembro. Coincidentemente, a última publicação nas redes sociais foi no dia anterior. Nós tentamos contato, mas não tivemos retorno.

Márcia apareceu também em uma imagem de câmera de monitoramento registrada no dia 16 de novembro no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, ao lado de Marcio, quando ele levou a primeira bebê para Portugal. Marcia empurra um carrinho de bebê e carrega a criança no colo. A bebê foi encontrada pela Polícia Judiciária local na cidade de Valongo, na região do Porto, norte do país, com o parceiro do empresário. A mãe dela é de Marabá, no Pará.

A Polícia Federal identificou vários comentários de Marcia em grupos de pessoas que ofereciam ser “barriga de aluguel”, demonstrando interesse e fazendo contatos prévios. Foi assim que ela teria chegado às duas mulheres.

Segundo a delegada Estela Beraquet Costa, que comanda a investigação, Marcio disse que não conseguiu adotar legalmente uma criança com o companheiro em Portugal, e que veio ao Brasil com esse objetivo. Só que as atitudes dele chamaram a atenção da equipe de investigação.

No caso do segundo bebê, o menino não chegou a ser registrado no nome do português. Ele foi levado para um abrigo, e ainda não se sabe se ele será colocado para adoção.

Ainda nesse escopo da investigação, o objetivo é apurar porque a Santa Casa de Valinhos foi escolhida para o local dos partos, já que as mães não tinham qualquer relação com a região. A ‘força’ de Márcia no município pode ser uma explicação.

Outra ponta do trabalho é apurar a atuação de dois escritórios de advocacia, de Valinhos e Itatiba, que entraram com os pedidos de adoção. O pedido unilateral é um requisito para sair do país sem autorização das mães, como detalhou a delegada Estela Beraquet

As investigações ainda continuam em várias frentes. Em Portugal, em parceria com a Polícia Judiciária de lá, o objetivo é descobrir se a intenção era realmente formar uma família, ou se as crianças eram repassadas para outras pessoas. O companheiro do empresário não é considerado suspeito, mas também investigado, assim como as mães das crianças, especialmente se elas receberam algum dinheiro para ter os bebês e sumir.

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