O relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União não traz o nome de Nova Odessa entre as prefeituras que teriam recebido recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação supostamente intermediados pelos “pastores do MEC” entre 2020 e 2022.
A auditoria analisou a “possível interferência de agentes privados em prol do direcionamento de transferências voluntárias do Ministério da Educação e do FNDE para determinados entes federados, entre julho de 2020 e março de 2022”.
A polêmica se arrastava desde o dia em que a informação foi publicada. O nome da cidade apareceu porque Nova Odessa sediou em atrássto de 2021 um dos vários “Gabinetes Itinerantes” do MEC (Ministério da Educação) e do FNDE, que ocorreram em várias regiões do Brasil.
O evento público constou da agenda oficial do MEC e foi organizado e promovido por um empresário indicado pelo próprio Ministério, praticamente sem custos aos cofres municipais.
Na ocasião, cerca de 70 prefeitos e secretários municipais de Educação do interior do Estado de São Paulo foram atendidos por técnicos do Fundo Nacional no Ginásio de Esportes do Jardim Santa Rosa.
Segundo a prefeitura, Nova Odessa sequer foi contemplada ainda pelo Ministério com recursos do FNDE para a construção de nova unidade escolar, solicitados formalmente no início de 2021.
As denúncias iniciais foram feitas à Controladoria-Geral da União pelo empresário José Edvaldo Brito, de Piracicaba.
Brito teria conseguido um encontro com o então ministro da Educação, Milton Ribeiro, em julho de 2021 após aceitar fazer “doações” solicitadas pelos pastores. Ele afirmou ter estranhado a situação, e que no encontro, alertou Ribeiro sobre o ocorrido.
O ministro então teria dito ao empresário para que ele formalizasse uma denúncia sobre os pedidos de doações. Em entrevista ao CBN Campinas em 27 de junho do ano passado, ele comentou essas conversas.
A Polícia Federal fez a operação “Acesso pago”, que teve como base apontamentos do empresário às autoridades, que teria entregue comprovantes de depósitos de doações aos pastores.
Os valores solicitados chegariam a R$ 100 mil, e que ele depositou R$ 17 mil em uma conta do genro do pastor Gilmar Santos.
A operação resultou na prisão do ex-ministro Milton Ribeiro, e dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, e de mais dois suspeitos.
Todos foram soltos um dia depois, por decisão do desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª região.