A Unicamp vai enviar à Presidência da República, a todos os ministérios e ao Congresso Nacional uma moção contra os cortes do Governo Federal nos recursos destinados às bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A universidade entende que os cortes podem provocar a falência da pesquisa nacional, colocando em risco um trabalho de extrema importância que vem sendo desenvolvido há 60 anos.
Além disso, a Unicamp vai criar um grupo de trabalho para discutir medidas emergenciais de apoio aos pós-graduandos atingidos pelo contingenciamento. Nesta terça-feira, o Governo Federal anunciou a suspensão, a partir deste mês, do cadastramento de novos bolsistas e a alteração de vigência das bolsas e taxas escolares atualmente oferecidas pela Capes. Essa decisão afetará na Unicamp, já neste mês, 31 bolsas de mestrado, 26 de doutorado e uma de pós-doutorado.
O problema é ainda maior porque em maio já haviam sido congeladas 17 bolsas de mestrado, 23 de doutorado e três de pós-doutorado. No mês seguinte, em junho, outro corte em mais oito de mestrado e nove de doutorado. De acordo com o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, além de interromper as pesquisas em andamento, os cortes ameaçam parcerias com setores estratégicos da indústria e projetos de inovação com a iniciativa privada. Em outras palavras, se o governo não rever sua estratégia, em pouco tempo o Brasil perderá sua capacidade de apresentar resultados, como o surgimento de novas tecnologias e a descoberta para tratamentos de saúde.
As bolsas do CNPq ainda não sofreram com os cortes do governo, mas a expectativa é de que isso aconteça em breve. Atualmente, são pagos R$ 400 como ajuda de custo para as bolsas do CNPq de iniciação científica, enquanto pesquisadores de mestrado ganham R$ 1,5 mil e de doutorado ficam com R$ 2,8 mil. No total, a Unicamp tem 4,8 mil bolsistas de pós-graduação, que além do CNPq, usam fontes de financiamento como a Fapesp e a Capes. O Governo Federal informou que os cortes são necessários diante de um quadro de recessão econômica e garante que não haverá interrupção de pagamento para bolsistas com pesquisas em andamento.