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Sindicato critica contratação de militares pelo INSS

As filas de pedidos de benefícios continuam paradas nos postos do INSS. Segundo os dados do Governo Federal, são quase dois milhões de brasileiros à espera de resposta do instituto.

Sindicato critica contratação de militares pelo INSS
Foto: Flávio Botelho

As filas de pedidos de benefícios continuam paradas nos postos do INSS. Segundo os dados do Governo Federal, são quase dois milhões de brasileiros à espera de resposta do instituto. A professora Maria Aparecida Machado dos Santos deu entrada no pedido para aposentadoria em dezembro de 2018 e ainda não teve nenhum posicionamento concreto do órgão federal. “Na realidade eles fizeram a contagem e deu problema. Aí eles quiseram fazer um acerto e eu entrei com um recurso, que não foi respondido. Então entrei com um novo pedido de aposentadoria para ver se resolve o problema. Já faz um ano que estou neste processo”, disse.

A demora não afeta apenas quem está tentado resolver as questões sobre o pedido de aposentadoria. O pintor de paredes Esaú da Cruz sofreu acidente de trabalho e não consegue receber o que tem direito. Mesmo com a perna quebrada ele foi obrigado a ir até a agência central do INSS, na Rua Barreto Leme, e saiu sem resolver a situação. “Eu vim pegar a primeira parcela e eles fazem de tudo para complicar a nossa vida. Com a perna quebrada, eu tenho de ficar vindo e voltando para conseguir receber. Ninguém explica certo para gente o que tem que fazer. Eu não tenho internet em casa”, afirma.

De acordo com Cristiano Machado, diretor do Sinsprev, o Sindicato dos Trabalhadores em Previdência de Saúde e Previdência Federal do Estado de São Paulo, o grande problema em todo o país é a falta de profissionais para atender a demanda. O déficit de mão de obra é de 16 mil trabalhadores. Em Campinas, são cerca de 200 perícias por dia para a concessão do auxilio doença. Grande parte dos requerimentos fica pedente por causa de critérios de análise mais aprofundada. “O INSS só vai conseguir dar vazão à essa demanda de processos acumulados se realizar concurso. O governo precisaria contratar 16 mil funcionários só para suprir a força de trabalho que perdemos nos últimos anos”, explica. O diretor do sindicato faz questão de frisar que mesmo com o déficit de profissionais na previdência social, não há nenhum proposta de concurso público para suprir a demanda.

Para tentar uma saída e reduzir os processos acumulados no INSS, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), anunciou a contratação de servidores e militares da reserva para executar os serviços de atendimento nas agências. “A lei permite que a gente possa contratar militares da reserva, ganhando 30% a mais, para dar conta dessa demanda”, disse Bolsonaro. A confirmação foi feita pelo secretário especial de previdência e trabalho, Rogério Marinho, na noite da última terça-feira, 14. Na ocasião, ele anunciou que 07 mil militares da reserva vão reforçar o atendimento no INSS. A proposta é que o pacote seja implementado até abril deste ano, e com isso o governo espera que a fila de quase 2 milhões de pedidos represados seja resolvida até setembro.

Para Cristiano Machado a medida paliativa do Governo Federal é apenas um tapa buraco e não vai resolver o problema. “Na verdade o que o governo está fazendo é precarizar o atendimento. Porque o trabalho na agência do INSS é muito específico e são necessários anos de aprendizagem, porque a legislação da previdência é muito complexa”, finaliza.

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