A repercussão em torno do fechamento da tradicional padaria Orly, no centro de Campinas, chamou a atenção de comerciantes que também tiveram que fechar as portas de seus estabelecimentos na região central da cidade. Samuel Batista de Oliveira é um desses exemplos. Ele precisou fechar duas escolas. Um curso técnico e um profissionalizante.
Os motivos citados são a degradação do centro, a alta carga tributária e o faturamento em queda, com a diminuição de público. Apesar de atingirem o país como um todo, por causa da crise econômica, Samuel afirma que em Campinas estes problemas se intensificam, principalmente por causa do aumento do IPTU, do alto custo do transporte coletivo, os altos encargos, entre outros.
Preocupado com a situação, Samuel chegou a fazer um levantamento informal sobre os estabelecimentos comerciais fechados em 3 vias avaliadas. Na Rua General Osório, entre a Rua Barão de Jaguara e Av. Anchieta, 10 estabelecimentos comerciais encerraram as atividades. Na Rua Dr. Quirino, são seis lojas fechadas entre a Rua Quatorze de Dezembro e a Av. Moraes Sales. Na Av. Anchieta, são 5 Lojas fechadas
Para Samuel, se algo não for feito, o centro de Campinas terá o cenário de uma cidade fantasma. Outros fatores apontados pelos comerciantes são a presença de pedintes e o crescimento da violência no centro, fiscalização do trânsito local muito agressiva, estacionamentos com valores altos e falta de segurança. Para o arquiteto e urbanista, João Verde, é preciso que haja uma requalificação do centro de Campinas e incentivo às locações, com políticas públicas de apoio ao comércio o local.
De acordo com a ACIC, o comércio central de Campinas movimenta, atualmente, cerca de R$ 12 bi por ano. São 1.670 estabelecimentos em funcionamento na área central, distribuídos em 730 bares, 120 restaurantes e 820 lojas. O comércio mais antigo na área central é o Eden Bar e Restaurante, em funcionamento desde 1889, em Campinas. São 81.750 trabalhadores formais e 16.600 moradores. Circulam pela região central, no quadrilátero da rótula, cerca de 300 mil pessoas por dia.
Nota da Prefeitura
Em nota, a prefeitura de Campinas ressaltou que, em 2017, o governo Jonas Donizette fez a revisão da Planta Genérica de Valores e com isso houve alteração no valor do metro quadrado do terreno e consequentemente no valor venal dos imóveis. Ressaltou que, mesmo com a revisão da Planta, o valor venal de mercado dos imóveis continua sendo maior que o aplicado pela Prefeitura para fins de IPTU.
De acordo com a resposta da prefeitura de Campinas, o fechamento dos comércios é reflexo da crise econômica por que passa o País. Com a desaceleração e o desemprego, as pessoas deixaram de comprar e com isso estabelecimentos comerciais encerraram as atividades. Sobre segurança, a prefeitura disse que a Guarda Municipal faz rondas preventivas de rotina, diariamente, pela região central da cidade, com inclusive, uma base da GM no centro e equipes específicas.
A GM informa que fez dez detenções de pessoas procuradas ou fugitivas do sistema prisional na área. Além disso, a administração destacou que no último ano instalou 21 câmeras inteligentes que permitem reconhecimento facial, em locais de grande circulação de pessoas. A prefeitura garantiu que para aumentar a segurança no Centro da cidade entregou 240 pontos de iluminação pública.
Sobre os moradores de rua, a Prefeitura informa que dispõe de ampla rede de cuidados socioassistenciais para atender e acompanhar a população em situação de rua. A Administração ainda mantém o Projeto Recâmbio, que atende aqueles que desejam retornar para a cidade de origem. Outra medida importante para essa população, foi a construção dos banheiros públicos na Praça Ruy Barbosa, atrás da Catedral Metropolitana. Os sanitários masculino e feminino funcionam das 6h às 22h.
A Administração informa, ainda, que foi criado o Comitê Gestor do Plano Intersetorial de Atenção à População em Situação de Rua com ações imediatas, buscando amenizar a situação desta população e propiciando a saída das ruas. Além disso, há serviço de varrição contínua, além de lavagem com água e sabão no período diurno, das ruas na área central.
O fechamento dos comércios em várias regiões, não só de Campinas, é reflexo da crise econômica por que passa o País. Com a desaceleração da economia e o desemprego, as pessoas deixaram de comprar e com isso estabelecimentos comerciais encerraram as atividades.
Em 2017, a Prefeitura fez a revisão da Planta Genérica de Valores (PGV), com isso houve alteração no valor do metro quadrado do terreno e consequentemente no valor venal dos imóveis. Mesmo com a revisão da Planta, o valor venal de mercado dos imóveis continua sendo maior que o aplicado pela Prefeitura para fins de IPTU.
O fechamento dos comércios em várias regiões, não só de Campinas, é reflexo da crise econômica por que passa o País. Com a desaceleração da economia e o desemprego, as pessoas deixaram de comprar e com isso estabelecimentos comerciais encerraram as atividades.
Nota da Emdec
Sobre o valor da tarifa do transporte público coletivo municipal, a última recomposição ocorreu em julho de 2019. Portanto, já está completando oito meses. Além disso, a recomposição foi realizada após o período de um ano e meio sem reajuste (janeiro de 2018); e ficou abaixo da inflação do período (IPCA).
A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) esclarece que o valor da tarifa do transporte público coletivo de Campinas está dentro do patamar, justo, para promover o equilíbrio econômico-financeiro do sistema; e a Administração municipal ainda faz o aporte de subsídio, caso contrário, os valores seriam maiores.
Campinas tem características bem específicas, é muito espraiada, com grandes distâncias entre as regiões. Além disso, o índice de passageiros por quilômetro percorrido é baixo; e há diversas gratuidades (idoso, deficiente, escolar, universitário), o que faz com que o número de passageiros que pagam a tarifa cheia (preço integral) seja reduzido. São características que encarecem o sistema de transporte público, aliadas ao preço do diesel e custo da mão de obra.
Outro detalhe: Campinas tem valores de tarifa diferenciados da tarifa. O valor de R$ 4,95 é praticado para quem usa o tíquete QR Code e o Vale Transporte. O preço da passagem com o cartão Bilhete Único Comum é de R$ 4,55. O valor do Bilhete Único Comum, de R$ 4,55, é utilizado como base para o cálculo do Bilhete Único Escolar, que proporciona 60% de desconto e fica em R$ 1,82; e para o cálculo do Bilhete Único Universitário, que proporciona 50% de desconto, e custa R$ 2,28. Os cartões da família Bilhete Único são utilizados por quase a totalidade dos usuários do transporte. Lembrando que o bilhete Único proporciona a integração no sistema, que é o uso de mais de um ônibus, pagando apenas uma tarifa, pelo período de 2h.
É preocupação constante da Administração municipal a oferta de um transporte público coletivo seguro, eficiente, de qualidade e com preço justo para a população. Por isso, várias ações na área, como a implantação dos três corredores BRT; faixas exclusivas para o transporte; eliminação do uso do dinheiro para pagamento embarcado da tarifa; e a nova licitação do sistema de transporte público.