No dia 26 de março, a reportagem da CBN Campinas percorreu ruas de Campinas e encontrou praticamente uma cidade fantasma. O relato da repórter Valéria Hein dava a dimensão do isolamento social naquele momento. “Parece um domingo em fim de tarde”, disse.
Pouco mais de um mês depois, a situação já mudou bastante. Os mesmos locais percorridos já não têm cara de domingo. As agências bancárias, principalmente da Caixa Econômica Federal, têm filas que dobram o quarteirão. No início de abril, o Governo Federal liberou um auxílio emergencial de R$ 600 para pessoas de baixa renda durante a quarentena. A recomendação do banco é que os beneficiários façam o saque pela Internet, mas como o aplicativo tem problemas de funcionamento, centenas de pessoas vão a cada dia às agências para tentar conseguir o dinheiro.
Na unidade da Avenida Francisco Glicério, a fila de clientes ocupa a calçada da Barreto Leme e vai até a Barão de Jaguara, no fundo do prédio. Outras aglomerações se formaram na agência da própria Barão de Jaguara, nas proximidades da Rua Conceição, e nas avenidas Aquidaban e Saudade.
As academias continuam fechadas, mas o Centro de Convivência, no Cambuí, tinha dezenas de pessoas fazendo caminhada. O local, porém, não registrava concentração. Uma viatura da Guarda Municipal acompanha a movimentação.
Os domingos também são de trégua para o trânsito. Não é o caso de um dia útil mesmo em período de quarentena. A Avenida Francisco Glicério, a Rua Delfino Cintra, a Rua da Abolição, as avenidas Princesa d’Oeste e Ângelo Simões não chegavam a ter congestionamento, mas o volume de veículos não dá a impressão de um dia de isolamento.
Os pontos de ônibus estão praticamente vazios fora do horário de pico. Mas os passageiros relatam que a menor disponibilidade de linhas faz com que os coletivos viajem cheios no início da manhã e no fim da tarde.
Nas unidades de saúde, movimentação tranquila. Um posto de vacinação contra a gripe, na Rua Júlio de Mesquita, tinha apenas uma pessoa se imunizando. O Centro de Saúde Central, na Rua Padre Vieira, não tinha fila.
Os estabelecimentos comerciais de atividades consideradas não-essenciais continuam fechados. Os restaurantes e padarias seguem atuando no sistema de delivery. Um estabelecimento na Rua Sacramento, no Botafogo, exige que os clientes usem máscara e há demarcação no chão para a distância de segurança.
Nos supermercados, segue o trabalho de higienização de carrinhos de compra e os funcionários oferecem álcool gel para os clientes que vão entrar na loja. O número de compradores é limitado a 30% da capacidade. Por isso, as pessoas esperam na fila do lado de fora e é permitida apenas a entrada de um por vez. A diferença em relação ao fim de março, em estabelecimentos no Cambuí, Centro e Ponte Preta, é o número de carros no estacionamento, praticamente o mesmo de uma manhã de terça-feira comum.
Dados do Sistema de Monitoramento Inteligente do Governo de São Paulo apontam que no dia 26 de março, o índice de isolamento social era de 54%. Na sexta, 24 de abril, a taxa aponta 46%. Mas a impressão ao se percorrer as ruas é de que o desrespeito à quarentena é maior, pela visível diferença no número de pessoas fora de casa.