O objetivo da quarentena é promover o achatamento da curva de contágio do coronavírus e assim ganhar tempo para que os governantes consigam aumentar a estrutura hospitalar e salvar vidas. Há cerca de um mês e meio o Ministério da Saúde anunciou que seriam instalados emergencialmente 2 mil leitos de UTI. Até o momento atual, cerca de 350 foram efetivamente instalados e 15 estados não foram contemplados. A justificativa do governo é a escassez de respiradores no cenário internacional.
O especialista em tecnologia e inovação, Arthur Igreja, fez uma análise bem específica sobre o avanço do coronavírus em cada região do Brasil e constatou uma situação bem desigual na comparação com os estados e até mesmo entre as cidades dentro do mesmo estado. Arthur Igreja contatou ainda que mesmo que as 2 mil unidades prometidas tivessem sido entregues, o aumento na capacidade instalada seria de apenas 4,5% e mesmo assim, esta meta está longe de ser atingida.
Nos estados do norte e nordeste, a situação é mais preocupante por causa do índice de ocupação de leitos, que é maior que nos estados do sul e sudeste. O estudo do especialista aponta que a disponibilidade de leitos de UTI para cada 100 mil habitantes é de 2,72 na região sudeste, enquanto na região nordeste esse número cai para 1,44 e no Norte para 1,23. Ceará e Pernambuco, por exemplo, apresentam cerca de 98% de ocupação dos poucos leitos disponíveis. Enquanto em em São Paulo, dados do Governo estadual atualizados neste domingo apontam uma taxa de ocupação de 68,4% dos leitos de UTI. Em Campinas, o índice é de cerca de 66,5%.