A falta de centralização e a desorganização estão tornando o Brasil refém da pandemia da covid-19. A opinião é o professor de direito da Universidade Complutense da Espanha, Márcio Catão. De acordo com ele, na Espanha não existe um Sistema Único de Saúde e a responsabilidade fica a cargo dos estados. Porém, durante a pandemia, o governo espanhol assumiu o comando das ações.
Assim como nos países vizinhos, o lockdown foi adotado e causou conflitos, mas os resultados passaram a ser refletidos na queda no número de contaminados e mortos. No Brasil, segundo Márcio Catão, a pandemia virou uma guerra política. Catão considera que o Brasil está em uma fase pior com a flexibilização da economia, pois, assim como não teve coordenação para fechar, está sem coordenação para abrir as atividades econômicas. Com exemplo negativo, cita o que ocorreu nos Estados Unidos.
Diante da situação epidemiológica ele considera que sem coordenação política e legal, o país está se tornando refém da pandemia e, pelo que aponta a imprensa internacional, os problemas tendem a piorar ainda mais. Márcio Catão explica que não é contra a abertura econômica, mas defende que precisa haver coordenação, a exemplo do que ocorre em países vizinhos, como a Argentina, e na Europa.
Ele cita que o problema atual em países como a Itália, França e Espanha é a abertura do turismo, que vem batendo recordes de pacotes para a costa mediterrânea. Porém, em um período de 10 dias pós-abertura, foram registrados 24 óbitos, enquanto que no Brasil, com a flexibilização em plena pandemia, a média supera mil mortes em períodos de 24 horas.