Atos contra a exploração sexual infantil foram realizados nesta terça-feira (18) em Campinas, para destacar o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data foi instituída no ano 2000, e foi escolhida devido ao assassinato de uma menina de apenas oito anos, chamada Araceli, que foi drogada, estuprada e morta por jovens de classe média alta em 18 de maio de 1973 em Vitória, capital do Espírito Santo. Apesar do crime absurdo, os autores seguem impunes até hoje.
Pela manhã, na Primeira Delegacia da Defesa da Mulher (DDM), no bairro Proença, um ato foi realizado e reuniu autoridades da cidade. A Delegada da 1ª DDM de Campinas, Ana Carolina Almeida, falou sobre a importância do combate à este tipo de crime, ainda mais durante a pandemia. “Em tempos de pandemia a criança fica muito dentro de casa, e em 80% dos casos de violência sexual infantil os autores são familiares das crianças, então é muito importante a denúncia para que a gente possa investigar e fazer o atendimento completo à criança, esse atendimento multidisciplinar”.
Ela reforça que é fundamental denunciar este tipo de crime, para que a vítima não siga sendo abusada, e o autor não fique impune. “É importante que tenha essa divulgação pela imprensa, por todos, para que todos tenham a consciência da necessidade da denúncia, seja pelas delegacias fisicamente, pela delegacia online, seja pelos órgãos municipais, e também pelo disk denúncia, por um vizinho, por um amigo, familiar”.
O Prefeito de Campinas, Dário Saadi, participou do evento, e também destacou a importância em se combater este tipo de crime. “No Brasil temos uma estimativa de 500 mil casos de exploração sexual de crianças e adolescentes por ano, e infelizmente a maioria dos casos não são denunciados, então esse evento chama a atenção da importância de se combater esse crime que é um crime hediondo, principalmente denunciando”.
Frequentadores de uma Igreja no bairro São Marcos também realizaram uma ação relacionada à data nesta terça-feira. Voluntários estiveram em quatro pontos diferentes na região do bairro para falar com as pessoas sobre a importância da denúncia deste tipo de crime. Foram distribuídas flores amarelas que representam a inocência das crianças, que deve ser defendida e protegida. O Padre Antônio Alves, Pároco da Paróquia São Marcos, o evangelista, falou sobre a iniciativa. “Nós estamos falando da importância da denúncia, estamos conscientizando as pessoas sobre isso, por isso nós não podemos deixar passar em branco, então diante do possível estamos fazendo esta campanha”.

Anualmente uma caminhada era realizada para lembrar a data, porém, por conta da pandemia, a realização foi suspensa, e substituída pelo ato de conscientização, no qual também foram distribuídas máscaras, e os voluntários orientaram as pessoas sobre a importância de utilizá-las para se proteger da covid-19.
Sobre o abuso sexual de crianças, este tipo de crime é mais comum do que se imagina, e temos registros inclusive aqui na região, como o do homem de 53 anos que foi preso em Americana no mês passado, após ser condenado a 12 anos de prisão por estuprar uma criança autista de 9 anos, em crime cometido em 2017.
Denúncias podem ser feitas em delegacias, ou pelos Disque 100, do Disque Direitos Humanos, e também pelo Disque Denúncia da Polícia Civil, no telefone 181.