A polêmica expulsão de pessoas em situação de rua de Monte Mor não repercutiu bem entre prefeitos da região. Na última semana, o Prefeito da cidade, Edivaldo Antônio Brischi, do PTB, anunciou em uma transmissão ao vivo a retirada das pessoas em situação de rua. Essas pessoas foram colocadas em ônibus e vans, e posteriormente foram deixadas em outras cidades do estado de São Paulo. No vídeo, realizado durante a remoção dessas pessoas, o Prefeito alegou que a ação faz parte de uma revitalização, e argumentou que não aguenta mais as reclamações de moradores.
O Prefeito de Jaguariúna e Presidente do Conselho da Região Metropolitana de Campinas, Gustavo Reis, do MDB, evitou criticar diretamente o prefeito de Monte Mor, mas indicou que a medida vai contra o que é estabelecido pelo próprio conselho. “Em 2010 a Câmara Temática de Assistência Social da RMC elaborou um protocolo para atender essas pessoas em situação de vulnerabilidade, desde então a recomendação é que todas as cidades utilizem este mesmo protocolo de atuação”.
E este protocolo, criado por secretários de assistência social de todos os municípios da RMC, estabelece um tratamento totalmente diferente do que o praticado pela cidade de Monte Mor. “A gente deve priorizar a abordagem social, acolhimento humanitário, ou seja, antes de tomar qualquer atitude, as assistentes sociais devem fazer um levantamento sobre as condições dessa pessoa, identificar seus familiares e aí sim encaminhar para sua cidade de origem”
O Prefeito de Monte Mor indicou que, na véspera da data da transmissão ao vivo, foram realizadas seis viagens para enviar pessoas em situação de rua para os municípios de Rio das Pedras, Bauru, Campinas, São Paulo e Orquídeas. Alguns moradores de rua que foram deixados em Boituva no dia da transmissão registraram um boletim de ocorrência, afirmando que foram colocados de forma truculenta dentro de uma van, sem tempo sequer de recolher pertences pessoais, e que foram ameaçados com spray de pimenta durante o trajeto.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e as Defensorias Públicas da União e do Estado solicitaram que a Prefeitura de Monte Mor preste esclarecimentos sobre o assunto.