O total de crianças de seis e sete anos que não sabem ler e escrever aumentou 66,3% entre 2019 e 2021.
Os dados, divulgados pela organização Todos pela Educação junto com o IBGE, mostram que a pandemia agravou os desafios da alfabetização no País, já que o número passou de 1,4 milhão em 2019 para 2,4 milhões em 2021.
De acordo com a professora Rita Khater, psicóloga e pedagoga, docente da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas e diretora de escola de ensino infantil, com a desigualdade social cada vez mais notória, essa situação já era esperada. “Era o esperado, até porque nós nunca tivemos no ensino público com uma qualidade muito apropriada, sempre tivemos uma defasagem entre o público e o privado no ensino fundamental. E a pandemia, claro, que se agravou.”
Para se ter uma ideia, dentre as crianças mais pobres, o percentual das que não sabiam ler e escrever aumentou de 33,6% para 51,0% no mesmo período. Em relação as crianças mais ricas, o aumento foi de 11,4% para 16,6%. “As crianças com essa faixa etária e com a situação econômica, o perfil econômico delas, não conseguiam de fato acessar recursos online.”
A não-alfabetização das crianças pode trazer prejuízos para aprendizagens futuras, além de aumentar os riscos de reprovação e da evasão escolar.