Em depoimento ao Ministério Público, o empresário que denunciou o esquema de corrupção na Câmara de Vereadores de Campinas, praticado pelo presidente do legislativo Zé Carlos (PSB) e o subsecretário de Relações Institucionais, Rafael Creato, disse que um dos valores “sugeridos” de propina para que o contrato da prestação de serviço da TV Câmara fosse renovado seria de R$ 30 mil.
O empresário afirmou que os pedidos de propina foram feitos diretamente por Zé Carlos em duas reuniões, que aconteceram em atrássto de 2020, mas sem valores definidos.
Ele tentou gravar as conversas, mas não conseguiu porque o presidente da Câmara pediu para que ele deixasse o celular e o relógio longe dele.
Essa foi a “última conversa” a qual Zé Carlos se referia quando o empresário finalmente conseguiu gravar a reunião, e a mesma em que o vereador demonstrou preocupação se não havia “nada gravando”.
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As reuniões com Rafael Creato aconteceram no escritório do advogado, em Jundiaí. E, por mais de uma vez, o empresário disse que viu outros prestadores de serviços terceirizados da Câmara no local.
O empresário disse aos promotores do Ministério Público que o valor de R$ 30 mil foi sugerida em uma das conversas com Rafael Creato.
O dinheiro sairia do lucro do empresário, que disse que não tinha condições de dar, já que tira pouco do contrato.
Foi aí que Rafael Creato cogitou retirar acúmulos de funcionários ou reduzir horas trabalhadas, algo que foi negado pelo empresário, já que haveria “chiadeira” por parte dos vereadores.
E o subsecretário de Relações Institucionais tentou, de todas as formas, conseguir atender ao pedido de Zé Carlos.
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A pressão pela propina começou, segundo o empresário, desde quando Zé Carlos assumiu a presidência do legislativo campineiro.
Em março do ano passado, o dono da produtora recebeu um e-mail em que enviaram a minuta da alteração do contrato.
Uma cláusula chamou a atenção: o contrato poderia ser extinto a qualquer momento.
O empresário aceitou, mas avisou a Rafael Creato que gravou as conversas, e isso assustou o subsecretário.
No dia 30 de março de 2021, o contrato foi renovado sem essa cláusula.