As intermináveis reformas na Câmara de Vereadores de Campinas motivaram uma alteração que impacta até hoje nas atividades da casa.
Sem a possibilidade de usar o plenário, muito menos o plenarinho, a casa ficou “sem teto” para as audiências depois da retomada das atividades presenciais.
O Teatro Bento Quirino apareceu como uma ‘salvação’, depois de ser discutida a possibilidade das sessões acontecerem no Fórum, na Avenida Campos Sales.
Mas, quanto será que custa tudo isso aos cofres públicos? A CBN Campinas foi descobrir.
O Bento Quirino
O prédio onde funcionou o Colégio e Teatro Bento Quirino foi comprado pela prefeitura de Campinas em fevereiro. O valor de mercado era R$ 14 milhões, mas a administração desembolsou R$ 11,9 milhões.
A ideia inicial era aproveitar o espaço do colégio, que tem 25 salas de aula, 10 salas administrativas e duas quadras de esportes com vestiários, para transferir as unidades da Educação de Jovens e Adultos, que hoje funcionam na Avenida Benjamin Constant, em prédios alugados.
O Teatro, que tem capacidade para 540 pessoas, seria usado pela secretaria de Cultura.
Porém, ao ver que a reforma do prédio na Ponte Preta não acabava nunca, e que a Câmara não tinha lugar para ficar, o prefeito Dário Saadi (Republicanos) “emprestou” a unidade para que o Legislativo possa funcionar até que o plenário possa ser utilizado novamente.
E quem paga a conta?
A reportagem apurou que as contas de água e luz são pagas pela prefeitura, mas o valor não foi divulgado. No começo da “era Bento Quirino”, a Câmara ficou sem água por causa de uma conta atrasada.
Também foi a prefeitura quem pagou a reforma básica para que o espaço pudesse funcionar. O principal reparo foi a recolocação da fiação elétrica, furtada por vândalos, além do trabalho de limpeza.
Já a instalação das câmeras e de todo equipamento necessário para a transmissão das sessões foi feita pela empresa que administra a TV Câmara.
Como o contrato divide os valores de “produção interna” e “produção externa”, o que aconteceu foi apenas uma mudança.
As produções internas diminuíram, e as externas aumentaram, sem grande mudança no valor mensal.
Em teoria, sem custos
Oficialmente, a Câmara não paga nada pelo uso do Teatro Bento Quirino, e segue com os custos da sede da Ponte Preta, já que os gabinetes dos vereadores seguem normalmente — além da verba para custear as obras.
Mas, há algo que precisa ser levado em conta: o deslocamento. No caso da TV, tudo está embutido no contrato. Os vereadores, que tem uma cota de combustível, precisam gastar um pouco mais.
Afinal, a distância entre a sede da Câmara até o Bento Quirino é de 12 quilômetros. Supondo que todos os 33 vereadores saiam do bairro Ponte Preta e voltam para a sede do legislativo ao final das sessões, são 792 quilômetros por dia de sessão — 1.584km na semana.
Na prática, a Prefeitura tem um gasto superior, pois ainda aluga os prédios na Benjamin Constant onde são feitas as aulas do EJA — algo em torno de R$ 11 mil, mais o gasto com energia elétrica, além do consumo do Bento Quirino.
Enquanto isso…
A reforma no prédio da Ponte Preta segue. Eram para ser três fases, no primeiro e segundo pavimento, também envolvendo a parte onde a TV Câmara está instalada.
E como se não bastasse essa obra, atrásra há uma segunda que deve acontecer. Em 29 de atrássto foram entregues propostas de empresas que tem interesse em reformar a fachada da Câmara.