A Polícia Federal instaurou um procedimento criminal preparatório para investigar uma denúncia contra possíveis interessados na licitação do transporte público de Campinas.
Em setembro de 2023, quando os envelopes foram abertos, não havia nenhuma proposta.
O procedimento alvo da apuração era para definir as empresas que seriam contratadas pela prefeitura para operar o novo sistema de transporte, processo atrasado desde 2020.
Em princípio, a PF vai apurar se existem indícios de crime e se há atribuição da corporação federal no caso.
A prefeitura não é alvo da investigação, mas foi notificada pela Polícia Federal a fornecer informações sobre o processo licitatório.
Na prática, a Polícia Federal quer entender por que representantes de empresas interessadas foram até o local do pregão, na sede da prefeitura, mas não ofereceram propostas.
No ofício ao município, a PF pergunta, entre outras coisas, se houve registro de entrada das pessoas no dia e local em que ocorreu o pregão e pede vídeos da movimentação (entrada e saída, encontros) dos representantes das empresas que estiveram na prefeitura.
A administração afirmou que, por se tratar de inquérito policial, não poderia informar o conteúdo das respostas.
Em nota na época, a prefeitura afirmou que achou “estranha” a ausência de propostas e avalia quais serão os próximos passos.
O edital previa 15 anos de serviço, prazo prorrogável por mais 5 anos, com valor de R$ 8,2 bilhões após reajustes. O processo foi travado pelo Tribunal de Contas do Estado, que atendeu pedido das próprias empresas que operam hoje na cidade.
A CBN Campinas apurou, desde o começo do pregão, que as concessionárias até querem continuar na cidade, mas não concordam com alguns dos pontos apresentados, como a compra de ônibus elétricos, inclusive veículos articulados que ainda não tem operação viável no mercado.
A instalação de carregadores na garagem é extremamente cara, e a autonomia dos veículos é pequena para manter uma operação constante, fora que ainda não existem garantias reais de que o sistema seja rentável, por mais que São Paulo já tenha começado a obrigar a compra de veículos do tipo.
Outro ponto que incomoda as empresas é a transferência da responsabilidade da bilhetagem da Transurc, ligada às companhias, para a prefeitura.
Fontes na Emdec comentaram à CBN Campinas que o fato de representantes terem ido ao pregão e não oferecido propostas dá a entender que há uma intenção de ‘sabotagem’ da licitação, para manter tudo do jeito que está, com contratos precários e sem o cumprimento de obrigações, como a idade média da frota.
Levantamento feito pela reportagem aponta que existem ônibus convencionais com 14 anos de uso. Quando a antiga licitação, que criou o sistema InterCamp, foi feita, a idade máxima permitida era de 10 anos.